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Poema Social

CENOTE

 

O importante não é o que fizeram de você

Mas o que você faz do que fizeram com Você

Jean-Paul  Sartre

............................................................................

Durante a escuridão da incompetente e corrupta ditadura

Desenvolvi a terrível intuição apuradíssima de estar sendo seguido

Passei fome, fiquei desempregado, perdi bolsa na faculdade, dormi na rua

E esse sexto sentido animal afiado como instinto de sobrevivência

Fez-me ver melhor, sentir antes, captar o indizível – e destilar

A sensibilidade ferida na poesia como vazão de livramento...

 

Hoje minha poesia também tem o estranho e inevitável sentido de estar de alguma maneira sendo seguida

Não apenas weblustral como no Twitter, no Facebook ou no Orkut

Mas por amigos e companheiros que acreditam na utopia e na arte como libertação.

Parece que levito quando escrevo

E a poesia, surto circuito

É incorporada de sentimentos, pássaros que não existem, horizontes extrassensoriais e propriedades humanas

Que procuram saídas de emergência muito além de mim ou do que afinal me restei sendo...

 

Na cela escura do porão de uma ditadura que era o decrépito regime de exceção

Apurei todos os sentidos entre seis paredes que eram meus limites sobrevivenciais

Eu cantava mentalmente para não enlouquecer; fazia cinema mental

E escrevia pirâmides íntimas na alma para deixar algum rastro cósmico de mim

E poder me enxergar na escuridão dantesca que era daqueles tempos tenebrosos...

 

Hoje eu talvez seja por mim mesmo uma poesia-escuridão

Clarificando almas humanas dentre dos gargalos de perguntamentos historiais

As celas se romperam, as algemas são no espírito; mas ainda ficaram as sequelas entre células de tristeza, solidão – e impunidade

E ainda resistindo nas barricadas da vida, escrevendo eu me livro de mim que no criar clarificando a arte emana

Nesse cenote em que mergulho para procurar

E tentar

Achar...

Algum possível resto de ouro na escuridão da alma da raça humana.

-0-

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes, Cidade Poema – A História Que Toda Cidade Gostaria de Ter

Poema da Série “Memórias das Trevas”

Blog: WWW.portas-lapsos.zip.net

E-mail: poesilas@terra.com.br

 

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 12:47
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