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BRASIL, Sudeste, ITARARE, Planeta Cerveja, Centro Velho de Mim Mesmo, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Livros, Sobreviver, Escrever, Resistir
 

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Identificação: Curso Conselheiro Direitos Humanos (São Paulo)

Autor(a) : Silas Correa Leite
Local da Pesquisa : Trabalho
Região : Sul
Subprefeitura : Butantã
Área ou Unidade : Butantã

Tema : Direitos Humanos
Segmento : Inserção dos Direitos Humanos em Políticas Públicas
Ações : Propiciar o fortalecimento do espaço público em prol dos direitos humanos;
Promover políticas públicas de direitos humanos voltados à construção da cidadania e à recuperação do relacionamento cidadão-Estado;
Incentivar e subsidiar a participação popular, estimulando o uso de tecnologias de informação e comunicação para a promoção dos direitos humanos;
Desenvolvimento da atividade
Passo 1
a) Cite pelo menos três (3) aspectos do curso que você observou como mais relevantes para sua atuação como conselheiro em direitos humanos e justifique cada item citado.
1.
Justificativa:
A instrumentalização legal do curso, facultando entendimento do modus operandi na área e nas políticas públicas pertinentes
2.
Justificativa:
As especificações gerais do curso que permitem o entedimento humanista da condição "humana" do humano, no rol das estruturas sociais carentes e problemáticas.
Justificativa:
A troca de informações entre colegas, interagindo a respeito, com situações-problemas e mesmo debates pertinentes ao tema, facultando o entendimento de que poucos sabem mesmo a historicidade dos direitos humanos no país, e que é mesmo um assunto delicado e que exige um entendimento maior da abragência do que o curso facultará no contexto sócio-comunitário
b) Que conteúdos/temas você considera essenciais para a formação de um bom conselheiro em direitos humanos? Cite pelo menos três (3).
1.
Justificativa:
Conhecimento histórico do Brasil com seus dezelos sociais, suas dividas sociais impagas, seus contrastes sociais, suas riquezas impunes, lucros injutos.
2
Justificativa:
Discriminação histórica na sociedade, discriminação disfarçada, noções mínimas de ética e vezo comuntário da classe dominante a respeito
3.
Justificativa:
A justiça só é justa para os ricos, para os pobre não. Como o Brasil só é rico para os ricos, para os pobres não, a justiça só funciona para quem tem poder aquisitivo, a mídia burguesa é conivente, quando morre um rico há um clamor geral, quando morrem mais de cem pobres, negros, favelados, da periferia carente por semana, acham normal, ninguém faz nada.

c) Quais as características básicas (perfil) que você considera imprescindíveis para que uma pessoa seja conselheiro/a em direitos humanos? Cite pelo menos três (3) e justifique resumidamente cada item.
1.
Justificativa:
Ter ética e visão sócio-plural comunitária, boas noções da história do país

2.
Justificativa:
Ser honesto, educado, solícito, serviçal e realmente interessado no problema, em ajudar a buscar soluções na área

3.
Justificativa:
Ter participação social, estudar sempre, ter como base a opção para os carentes, a base da pirâmide social que estrangula os realmente necessitados, cobrando participação efetiva da sociedade, do estado, denunciando e interagindo para melhorar a condição sócio-comunitária do país
Passo 2
a) O que você destacaria como limites e dificuldades na implementação dos direitos humanos na subprefeitura, distrito, bairro ou comunidade (área) onde atua? Para cada item, justifique sinteticamente
1.
Justificativa:
Ter condições de cobrar, agir, denunciar, estar sabendo do problema, ter espaço midiático para cobrar soluções, exigir da justiça a interpelaçção de quem fere um direito ou deve um propósito sócio-comunitário aos carentes
2
Justificativa
Ter (tenho) consciência do Brasil dos ricos e do Brasil dos pobres, dos contrastes sociais e das dificuldades em mais de 500 anos para mudar isso. A luta é sempre, conscientizar, agir, estar próximo ao necessitado, intermediando a respeito.
3.
Justificativa: Facilidade para expor, escrever, dedicar tempo na produção de escritos (ensaios, artigos, opiniões, etc) pertinentes aos temas, com foco no bairro e mesmo difundido , principalmente na web ou no mundo acadêmico.
b) O que você destacaria de elementos positivos nas ações de implementação dos direitos humanos na área onde você atua. Cite pelo menos três (3) e justifique sinteticamente cada um deles.
1.
Justificativa:
Ter condições de cobrar, agir, denunciar, estar sabendo do problema, ter espaço midiático para cobrar soluções, exigir da justiça a interpelaçção de quem fere um direito ou deve um propósito sócio-comunitário aos carentes
2
Justificativa
Ter (tenho) consciência do Brasil dos ricos e do Brasil dos pobres, dos contrastes sociais e das dificuldades em mais de 500 anos para mudar isso. A luta é sempre, conscientizar, agir, estar próximo ao necessitado, intermediando a respeito.
3.
Justificativa: Facilidade para expor, escrever, dedicar tempo na produção de escritos (ensaios, artigos, opiniões, etc) pertinentes aos temas, com foco no bairro e mesmo difundido , principalmente a web.
Desenhando um Projeto Final
1. Escolha da dificuldade a ser superada
A partir da identificação dos limites e dificuldades (problemas) da ÁREA/ UNIDADE DE TRABALHO ou LOCAL ESCOLHIDO, apontados na parte 2 desta atividade, escolha uma dificuldade (problema) para elaborar uma iniciativa que você considera necessária para a sua superação.
Dificuldade: desconhecimento dos direitos da clientela escolar, da comunidade em geral, com relação a abrangência do tema Direitos Humanos como um todo, principalmente sob a ótica do ECA, que atinge crianças e adolescentes
Iniciativa: Palestra-oficineira sobre o tema Direitos Humanos na Comunidade Carente, com os alunos e membros da comunidade como um todo, facultando a discussão e conhecimento geral do tema e sua sinificância sócio-comunitária
2. Público Alvo do Projeto
Crianças e adolescentes (até 18 anos)
3. Definição do Objetivo
Qual (is) o(s) objetivo(s) dessa iniciativa?
O que se quer mudar?
O que se pretende alcançar com a realização deste Projeto?
O objetivo da iniciativa é valorizar o tema dos Direitos Humanos na comunidade escolar, além de pretender conscientizar os alunos, crianças e adolescenete, sobre a importância do assunto, de seus direitos e deveres no meio e no entorno, alcançando assim a conscientização dos jovens para o que podem ser, podem mudar, podem cobrar, exercitando, praticando e estando inseridos no tema e no que o tema enquanto humanista e sob uma ético-plural comunitária representa para as comunidades carentes.
4. Descrição das ações
Pense em um PROJETO FINAL realista, viável e coerente com os recursos existentes.
O que vamos fazer? Como vamos fazer?
Projeto Final:

Fazer palestras em sala de aulas com alunos, sobre o tema Direitos Humanos e a Criança e o Adolescente, dando suporte aos alunos nessa área, tomando pé da realidade deles, do que o meio de bom e de ruim oferece no contexto sócio-comunitário, trabalhando em campo com eles, acompanhando-os em trabalhos de entrevistas da comunidade, tornando os cientes de deveres e direitos; direitos de cidadãos que têm que preservar, difundir, particar, respeitar, e, antes de tudo, difundir como meta inclusiva na sociedade dos quais são partes importantes.
5. Responsáveis
Quem são as pessoas / órgãos responsáveis por cada uma das ações?
-Alunos da EMEF José de Alcântara Machado Filho
-Direção, Coordenadoria, Professores, Alunos, Funcionários
-Coordenadoria de Educação da AR-BT
6. Análise da situação
Descreva:

  • A importância da superação desta dificuldade para os direitos humanos e para a comunidade;
  • Causas possíveis, origens e fatores que geraram a dificuldade selecionada;
  • Informações necessárias/ coleta de dados;
  • Experiências acumuladas pelos atores envolvidos.
-A importância é de vezo sócio-comunitário pela inclusão social deles, na área, na busca por direitos e preservação dos direitos
-As causas são o desconhecimento da lei, dos direitos que têm, da falta de estrutura estadual do estado sucateado e pouco preocupado na realidade com as comunidades carente e seus problemas "humanos"
-Em campo, os dados coletados passam por uma comunidade carente, a Favela (Comunidade Carente) do Real Parque/Morumbi, seus problemas sociais, suas carências, um certo abandono proposital dos poderes públicos, dezelos, etc.
-A escola como ponto-referencial, tem experiência educadora inclusiva, seus professores têm no campo de trabalho a oportunidade de exercitar em todas as áreas a prática afetivo-emocional e didatico-pedagógica dos Direitos Humanos para os humanos direitos.
7. Identifique possíveis parcerias para desenvolvimento de atividades conjuntas
- Gestores públicos da região
- Lideranças da comunidade
- Associações comunitárias/associações de bairro
- Escolas públicas da região
- Órgãos públicos
8. Recursos necessários
Quais ferramentas e recursos dispomos a curto e médio prazo?
Reunião com líderes da comunidade, com autoridades escolares (corpo docente), com personalidades agregadas do meio - escritores, jornalistas, moradores mesmo - em encontros, reuniões, com convocatórias para discutirem o Tema Direitos Humanos, saberem o tema, avaliarem situações-problemas, situações-conflitos a partir desta ótica humanista e sócio-inclusiva para se equiparem por assim dizer, e, como comunidade, buscarem apoio, retaguarda, espaço de convivência na área, referente ao tema e para a própria prática da cidadania vivenciada.
9. Prazos / Tempo de realização
Descreva o tempo estimado para a implementação do projeto.
Em média um mês, mais ou menos, num momento imediato.

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 12:44
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Escrito por Silas Corrêa Leite às 18:56
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UM BOM MALANDRO NÃO TOMBA

Em Mangueira/Quando morre/Um poeta/Todos choram
Vivo tranqüilo em Mangueira porque sei que alguém há de chorar quando eu morrer
Mas o pranto em Mangueira/É tão diferente/É um pranto sem lenço/Que alegra a gente
Hei de ter um alguém pra chorar por mim/Através de um pandeiro ou de um tamborim
Em Mangueira/Quando morre/Um poeta/Todos choram
Todo tempo que eu viver só me fascina você, Mangueira
Guerriei na juventude, fiz por você o que pude, Mangueira
Continuam nossas lutas,podam-se os galhos, colhem-se as frutas e outra vez se semeia
E no fim desse labor/Surge outro compositor/Com o mesmo sangue na veia.

(No Tom da Mangueira/Cartola)



Escrito por Silas Corrêa Leite às 13:11
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Parabéns (Cantata de 22 de Agosto de 2008)

 

Para Luiz Antonio SOLDA

 

 

“Cada um sabe a dor e a

Delicia/De ser o que é...”

 

(Caetano Veloso)

 

 

Parabéns, a gente não dá todo santo dia

Pra não ter festa o tempo todo e a gente comer tanto e engordar

Mas que é bom e se fosse possível a gente diria

Porque a companhia é a própria alegria de ser e de estar.

 

Parabéns, a gente dá com prazer e harmonia

E até canta, bate palmas, faz palhaçada e ri tanto para mostrar

Que a amizade é de quem ama, respeita, confia

E o prazer se anuncia na bela alegria de tanto abraçar

 

Parabéns, é como música, benzimento ou poesia

Risca fósforo, apaga vela, faz piada e todo mundo quer levitar

 

Pra dizer pro aniversariante que a gente o aprecia

E ser amigo é serventia de poder todo dia comemorar

 

-0-

 

Silas Correa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogues: www.portas-lapsos.zip.net

Ou: www.campodetrigocomcorvos.zip.net

 

 

 

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 10:39
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Agosto do Poeta

Paulo Leminski, Rogério Dias e Soruda-san.
Foto de Francisco Kava.

 

vai
meu amigo
desta vez
eu não vou contigo

 

a morte
é um vício muito antigo
só que nunca
aconteceu comigo

 

pode ir
que eu não ligo
eu fico por aqui
separando
o tijolo do trigo

 

solda (7/6/89)


Escrito por Silas Corrêa Leite às 20:54
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´

Quando eu Morrer

 

 

Quando eu morrer, se quiserem saber da minha vida

Digam que ao escrever poemas eu regurgitei

Tudo o que de ruim e doloroso recebi de herança ao nascer.

O dia em que nasci foi o de deixar um outro mundo

E concebido nove meses antes de habitar a terra

Com a pior poluição do planeta, os chamados seres humanos.

 

Quando eu morrer, leiam meus poemas e me esqueçam

Eu fui muito mais o que escrevi do que eu mesmo

Cada lágrima, vagido, horror ou neura deixei em palavras

Minha mãe foi a solidão e meu pai foi um acordeom vermelho

A vida é só tristeza e eu nunca me coube direito em mim

Escrever foi a homeopatia que me salvou de ser humano.

 

Se eu quisesse a lua certamente me dariam o inferno

Se eu sonhasse castanhas assadas me dariam cianureto

Nas humilhações fui enfezado e isso mexeu com meus motores.

Capturei imagens, fugi no letral, habitei o mundo-sombra

Despossuí-me de mim para ser o sentidor, o louco varrido

A vida não me deu limões mas fiz limonadas de lágrimas.

 

Hoje eu olho tudo o que sou e tudo o que tenho como fruto

De mágoas, ojerizas, lamentos e decomposições do Eu de mim

E tenho medo, muito medo; um quase humano insatisfeito

Com meu destino trágico, as portas sensoriais abertas, e ainda

Os fantasmas que me nutriram e que se alimentam do meu ódio

E me parecendo com algum humano fujo dos cacos de espelhos.

 

-0-

 

Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br

Site: www.itarare.com.br/silas.htm

Poema da Série “Lágrimas Secretas”

 

 

 

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 12:15
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A Carne



Por Jean Narciso


A palavra me faz deus
Na superfície da carne
A imagem leva-me a Canaã desconhecida
A alma é maior do que um pássaro mecânico
Não cabe em minha asa postiça.
Lanço em minha escritura somente um manual de salvação
Prometo a redenção dos medos e insônias
A carne cabe no pássaro temporal
Deteriora como um jardineiro em sua grama.
 
 


Escrito por Silas Corrêa Leite às 19:09
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POETA RUSSA ANNA AKHAMÁTOVA

 

SEPARAÇÃO

Nem semanas nem meses - anos
levamos nos separando. Eis, finalmente,
o gelo da liberdade verdadeira
e as cinzentas guirlandas na fachada dos templos.

Não mais traições, não mais enganos,
e não me terás mais de ficar ouvindo até o amanhecer,
enquanto flui o riacho das provas
da minha mais perfeita inocência.

(1940)

 

 

MÚSICA

"Algo de miraculoso arde nela,
fronteiras ela molda aos nossos olhos.
É a única que continua a me falar
depois que todo o resto tem medo de estar perto.
Depois que o último amigo tiver desviado o seu olhar
ela ainda estará comigo no meu túmulo,
como se fosse o canto do primeiro trovão,
ou como se todas as flores explodissem em versos."

 

 

DE "OS MISTÉRIOS DO OFÍCIO"

"De que servem exércitos de canções
e o encanto das elegias sentimentais?
Para mim, na poesia, tudo tem de ser desmesurado,
e não do jeito como todo mundo faz.

Se vocês soubessem de que lixeira
saem, desavergonhados, os versos,
como dente-de-leão que brota ao pé da cerca,
como a bardana ou o cogumelo.

Um grito que vem do coração, o cheiro fresco de alcatrão,
o bolor oculto na parede...
E, de repente, a poesia soa, calorosa, terna,
Para a minha e tua alegria."

       

       

ATRAVÉS DOS ESPELHOS
(dois poetas e a musa)

"Esta beldade é muito jovem
mas não é deste século.
Não ficamos sozinhos pois - a terceira -
ela nunca nos abandona.
Puxas para ela uma cadeira
e eu, generosamente, divido com ela minhas flores...
O que estamos fazendo - nem nós mesmos sabemos
mas, a cada momento, mais isso nos assusta...
Como quem saiu da prisão,
sabemos algo um do outro,
algo terrível. Estamos num círculo infernal.
Mas talvez isto não sejamos nós."

 

 

TREZE VERSOS

E finalmente pronunciaste a palavra
não como quem se ajoelha,
mas como quem escapa da prisão
e vê o sagrado dossel das bétulas
através do arco-íris do pranto involuntário.
E à tua volta cantou o silêncio
e um sol muito puro clareou a escuridão
e o mundo por um instante transformou-se
e estranhamente mudou o sabor do vinho.
E até eu, que fora destinada
da palavra divina a ser a assassina,
calei-me, quase com devoção,
para poder prolongar esse instante abençoado.

 

 

À MUSA

Quanto, à noite, espero a tua chegada,
a vida me parece suspensa por um fio.
Que importam juventude, glória, liberdade,
quando enfim aparece a hóspede querida
trazendo nas mãos a sua rústica flauta?
Ei-la que vem. Soergue o seu véu,
olha para mim atentamente.
E lhe pergunto: "Foste tu quem a Dante
ditou as páginas do Inferno?". E ela: "Sim, fui eu".

 

Do Livro "Anna Akhmátova - Poesia: 1912-1964"
Tradução de Lauro Machado Coelho
Editora L&PM, 1991.

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 14:31
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Anna Akhmatova
- Anna Andreievna Gorenko - (Russia, 1889-1966)


Não, não estava sob um céu estrangeiro,
nem me protegiam asas estranhas.
Estava com o meu povo, no lugar
em que infelizmente meu povo estava.
1961

Requiem (1935-1940)


'Não há maior poetisa russa. Akhmatova traduziu o sofrimento em métrica poética, chamou as coisas pelo nome, amou e foi amada, não fugiu à desgraça e agora é a Anna de todas as Rússias.

Nasceu no mesmo ano em que nasceram Chaplin, a Sonata de Kreutzer de Tolstoi, a Torre Eiffel e TS Elliot. Saiba que estamos a falar de 1889. Foi nos arredores do porto de Odessa, mais precisamente a 24 de Junho.
Chamaram-lhe Anna, em honra da avó morta e na família não havia poetas, só uma tia do avô Stogov, proprietário rural desterrado por ter participado num motim. Também tinha uma princesa no rol de antepassados, descendente de Gengiscão, de apelido Akhmatova. Foi assim que Anna passou a assinar a poesia, porque o pai não queria ver o seu nome, Gorenko, naquelas lamechices.

Escreveu o primeiro poema aos 11 anos e casou cedo com o poeta Gumiliov de quem teve um filho, Lev. Eram acmnistas, ou seja, exprimiam sentimentos de forma concisa, o que foi o fim dos simbolistas como Alexander Block.
O fim de Gumiliov foi em 1921, quando levou um tiro dos bolcheviques por ser contra-revolucionário. Já estavam divorciados desde 1918 e Anna tinha um segundo marido, o orientalista Chileiko de quem se separou também.
Em 1926 vive com Nikolai Punin e em 1935 este e Lev são presos e depois libertados. Em 1938, Anna separa-se de Punin e Lev é preso outra vez, mas por pouco tempo.

Este desassossego teve um interregno durante a Segunda Guerra. Foi para Anna tempo de sucesso na rádio, onde lia os seus poemas porque Estaline achava que era a altura de usar a poesia para levantar o fervor patriótico russo.
Depois da guerra foi proscrita, declarada "uma combinação de 'freira e de prostituta'" cuja poesia nada teria a ver com o povo. Foi-lhe dado emprego numa biblioteca, e escrevia às escondidas, sem poder publicar. Com o filho Lev, deportado na Sibéria desde 1946, Anna produziu uns poemas a louvar Estaline, mas de nada lhes serviu. Lev ficou preso nas neves até 1956 quando Krutchov assumiu o poder e Anna saiu do estado de desgraça estalinista em que tinha vivido.

Em 1964 tornou-se presidente da União dos Escritores Soviéticos e em 1965 recebeu um doutoramento 'honoris causa' em Oxford. Morreu em 1966, reabilitada e considerada a "Anna de todas as Rússias".

Anna começou a sua carreira como uma poetisa do amor, talvez a maior do século XX mas o que marcou, definitivamente, a sua poesia foi o tributo ao sofrimento do povo russo desde os milhões que morreram na guerra civil que se seguiu à revolução bolchevista, passando pelos milhões de mortos nos longos anos de Estaline e ainda a fome, a miséria e o medo dos que como ela, não se exilaram e viveram vidas trágicas.

A sua poesia era moderna, sem ser ainda modernista. Joseph Brodsky, outro poeta russo que foi seu amigo nos últimos anos de vida, definiu-a como " uma poetisa de métrica estrita, rimas exactas e frases curtas. A sintaxe é simples, e livre de cláusulas subordinadas... Anna é o produto da tradição de Petersburgo assente no classicismo europeu e nas suas origens gregas e romanas".
Esta é a forma, os conteúdos passaram do amor ao pesar - a partir dos anos 30, com alguns épicos durante a Segunda Guerra, odes à coragem de resistir ao invasor alemão e ao poder da poesia como fio condutor de uma civilização.

Como escrevem Nina e Filipe Guerra - na introdução da colectânea "Só o sangue cheira a sangue" que traduziram para português e publicaram na Assírio e Alvim, Akhmatova é "poeta do lirismo íntimo, a sua obra é uma constante confissão... tem o segredo da sinceridade e autenticidade".

Escreveu mais de 800 poemas. Para além do primeiro, aos 11 anos "A Voz", de "Requiem", "Coragem", "Voo Branco" e "A Corrida do Tempo" é preciso saber que Anna demorou mais de 20 anos a escrever "Poema sem Herói" onde faz referência ao filósofo inglês nascido na Rússia, Isaiah Berlin que a visitou em São Petersburgo em 1945. O encontro com esse "viajante do futuro", de passagem pela Rússia, custou a Anna a prisão do filho e a sua queda em desgraça durante o regime de Estaline. Só se voltaram a encontrar em Oxford, em 1965 onde Berlin era professor.

Falar da Anna de todas as Rússias é falar da tragédia "humAnna", dos tempos de Estaline e de como foi possível, a alguém, fazer disso poesia. Também escreveu prosa autobiográfica e sobre Pushkin. Foi amiga de Boris Pasternak, Mandelstam, Block e conheceu Tsvetaeva.

Saiba que Anna era uma mulher bonita, elegante, aliás escanzelada porque passou muita fome, uma mulher que suscitou paixões, que foi desenhada por Modigliani, fotografada por Nappelbaum, esculpida por Danko e pintada por Tyrsa e Vodkin. Em velha, e mais gordinha, manteve o ar distante e triste com que passou a vida a ver a família e amigos desaparecerem de forma mais ou menos violenta, enquanto fazia fila para racionamentos e se recusava a fugir ao destino dos seus compatriotas.

É preciso dar graças a Nina e Filipe Guerra sem os quais não poderíamos hoje saber de Akhmatova em português.(...)'

© Publico (de 2004/08/30, já não está online, via)


Caminhos:

Anna Akhmatova no site de Arlindo Correia

Anna Akhmatova - Cronologia em lumiarte.com

Ana Akhmatova em epdlp.com


mais:
em kirjasto.sci
em poets.org
em odessit.com

em poetryloverspage.com
em geocities.com.../akhmatova


The Places of Anna Akhmatova

The St Petersburg Legacy: A portrait of a city through its poetry and music



Escrito por Silas Corrêa Leite às 14:25
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IA SER TÃO BOM VOLTAR PARA CASA

 

 

 

Ia ser tão bom voltar pra casa um dia

E encontrar você de novo lá, Pai

Com seu acordeão vermelho, seu chapéu de feltro

E seus braços longos me abraçando e dizendo “Que saudades, filho”

 

Ia ser tão bom que houvesse um recomeço

Você e eu de novo em Itararé, Pai

A mesma rua, a mesma casa, o quintal encantado

E você comendo leite com farinha de ausência numa xícara de sonhos.

 

Ia ser tão bom ouvir a sua voz forte

E eu podendo olhar os seus olhos, Pai

Que de manhã eram de uma cor e à tarde de outra

Éramos felizes na casinha cor-de-rosa da periférica Vila São Vicente.

 

Ia ser tão bom se você me esperasse

Na hora que eu deixasse esta vida, Pai

A casa do outro lado, uma outra Itararé celeste

Eu e você preparando o quintal pra reunir toda a família novamente.

 

-0-

 

Silas Correa Leite, Itararé-SP

E-mail: poesilas@terra.com.br - Site: www.itarare.com.br/silas.htm

 

 

 

 

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 11:42
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Escrito por Silas Corrêa Leite às 12:51
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O Vento Sussurra

 

 

O vento sussurra o seu nome vindo da eternidade

Por entre árvores, nuvens, campos de cevada e de centeio

O vento limando as arestas da triste saudade

Em que me incluo sensível muito além deste meio

 

Sou eu este vento vindo de um deserto

Sou eu o inacessível chão rompido pelo vento

Em mim mesmo nunca estou longe ou perto

Na irrazão o dezelo de um antigo sentimento

 

O vento que desce sobre mim logo descobre

Sou parte dele; poeta com a alma a levitar

De raiz sou simples, sou triste e sou pobre

Muito além da bruma do vento aprendi a criar

 

O vento e o poetar - tudo transcende a vida

Nos campos de trigo, de centeio ou de cevada

 

No espírito do vento minha alma é nutrida

 

Sou desfiladeiro e trilha, sou estrela alada.

 

-0-

 

Silas Correa Leite – Itararé-SP

E-mail: poesilas@terra.com.br

www.itarare.com.br/silas.htm

 

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 10:41
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Escrito por Silas Corrêa Leite às 12:04
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Até que a nova morte nos separe

Por Barbara Leite

 


Hoje,
um dia de chuva, um domingo
realizei o grande sonho feminino

E foi do jeito que sempre imaginei
sem padre, sem igreja, sem salão
sem véu, sem grinalda, sem anunciação

Eu, a paixão e ele.

E meu homem é encantador
vejo seu coração pulsar em palavras
nem precisa me dizer que é sedutor
não sou mulher que casa enganada

Não me importa ser só, desde agora
tampouco,inexistir tempo pra nós dois
quem sabe nem disso se precise
e se precisar, deixo isso pra depois

Hoje não penso nisso.

Eu, Barbara Leite
a décima esposa de Vinicius
 
 


Escrito por Silas Corrêa Leite às 09:54
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Plano B, Lado B, Tipo Doador Universal

 

 

 

-Eu nunca tive um Plano B que prestasse

Pra minha existencialização vulnerável até então

Sempre fui obcecado por um existencialismo tipo radar tantã

Que nunca tive saída de emergência a não ser ler e escrever poesia

O que por si só já configura uma certa tendência prum canibalismo letral

De uma placa de captura volúvel para essa vida de chorumes

Entre cloacas sociais de todas as espécies inumanas possíveis.