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BRASIL, Sudeste, ITARARE, Planeta Cerveja, Centro Velho de Mim Mesmo, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Livros, Sobreviver, Escrever, Resistir
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“SALMO DE NATAL DE ITARARÉ” (Itararé da Infância – Meu Reino Encantado) Para Clarice Leite dos Santos, Minha Irmã Minha Infância, meu maior tesouro Ruas cor-de-rosa de Itararé Éramos felizes e ninguém estava morto Galos, noites e quintais; pirilâmpadas. A mãe no tanque lavando roupa O pai solando abismo de rosas no acordeão vermelho Clarice, Sueli, Erzita, Célio e Paulo E tínhamos todos os sonhos pueris do mundo... Minha infância, minha Terra do Nunca Nunca ninguém iria morrer Nem ,jamais, nunca passaríamos fome As estrelas eram como buscapés no horizonte. A sopa de fubá com couve rasgada O pai na Rádio Clube em programa protestante Dona Eugênia, Maestro Antenor, e a Judite Que nos trazia sempre guloseimas no Natal... Minha infância, meu reino encantado Agora é só um retrato na parede O pai foi tocar acordeão para Deus A mãe foi fazer polenta para Jesuscristinho no céu. Nosso Natal é licor de ausências Saudades de um tempo que já se foi no longe Meu pinheirinho elétrico, pisca, colorido Doces lembranças de minhas amanhecenças... Minha infância. Meu Natal pobrinho Carrinho de rolimãs, e Itararé Toda encantada como uma Pasarágada que ali Enfeitava a chiqueza de meu jeito de guri. Hoje guardo no coração, dorido Esse menino que cresceu; que tenho sido Uma Itararézinha itinerante a salmar Um Natal – Que é sempre a saudade do Lar! -0- Silas Correa Leite – República Etílico-Rural da Estância Boêmia Santa Itararé das Artes E-mail: poesilas@terra.com.br - Site: www.portas-lapsos.zip.net Poema da Série “Eram os Itarareenses Andorinhas Extraterrestres?” www.itarare.com.br
Escrito por Silas Corrêa Leite às 09:35
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No Natal – Crônica de Dezembro de 2011 01)-No Natal... ficamos mais sensibilizados, vemos estrelas diferenciadas e luzes elétricas coloridas com maior ternura, como se nosso coração se abrisse e nossos sentimentos revisitassem atitudes, gestos, mãos estendidas e olhares acima e sobre todas as coisas... 02)-No Natal... tornamo-nos crianças de novo – nossa infância, nosso maior tesouro – doces memórias voltam, e nossa alma alumbrada audita o que fomos, o que evoluímos, o que somos, em conquistas, momentos e canções... 03)-No Natal... além das festas, do amigo secreto tradicional, das trocas de presentes, lembramos pessoas queridas que partiram primeiro, somamos as crianças que nasceram, festas, perdas, lucros, congraçamentos, e verificamos que crescemos na dor, evoluímos no amor... saldo positivo... 04)-No Natal... o pinheirinho novo nos traz a lembrança antiga da família reunida; estávamos todos vivos, então de novo colocamos lembranças no quarador das idéias, e vemos que o tempo passa, o que somos permanece, a família é nosso reduto de paz e de sustentabilidade espiritual... 05)-No Natal... damos prioridade a verdades puras, questões importantes, sabemos que é o fechamento de um ciclo, mas, também, é data de se comemorar o amor, a esperança, a consciência tranquila, a paz de espírito, os abraços apertados, porque, afinal, temos um berço, um clã, e, mais importante, temos um rol maravilhoso de grandes amigos... 06)-No Natal... voltamos para nós mesmos, conseguimos união, carinho; voltamos para casa, temos uma casa, somos essa casa em nós, tudo nos ampara, redime e conforta, o amor Cristão nos sustenta nas obras e na fé, porque, sabemos, afinal, como diria o poeta, que o importante é que a emoção sobreviva... 07)-No Natal... somos a comemoração que edifica, somos a música que soa, readquirimos brilho nos olhos, temos afetos explícitos, o bem-querer se manifesta em atitudes e conciliações, a família se fortifica, os separados se reconciliam, o perdão sustenta e o panetone diz quão doce é a data, o momento, o aconchego de abraços apertados de pessoas especiais que nos rodeiam... 08)-No Natal... não nos cabemos em nós, porque não somos sozinhos, somos plurais, comunitários, sabemos que somos elos de uma corrente da vida, que tudo que nos cerca nos diz respeito, que tudo que nos rodeia é semeadura, que tudo o que nos sustenta são os abraços das crianças, e a grandeza dos mais velhos escancara em nós o que deles herdamos em qualidades e conquistas... 09)-No Natal... o dezembro cintila, clarificamos emoções, contabilizamos o que criamos e o que aprendemos, o que tiramos de letra nas dores que nos fortificaram o caráter, nos aprimoramos enquanto seres e enquanto humanos, até porque, sendo Natal, a esperança se renova sabendo que, o ciclo novo que se inicia, anuncia também a boa-nova de um novo tempo melhor, um ano novo frutífero, em que daremos testemunho de resistência e fibra, de camaradagem e luz... de aprimoramento e evolução... 10)-No Natal... recebemos presentes, entregamos cartões de Natal, tudo cheira gostosamente a festa, tudo é doce e frugal, e, afinal, sobreviventes sempre para melhor de um ano que se encerra, notamos que, sim estamos realizando nossos sonhos, fomos testados e passamos no teste, até abraçarmos cada um de cada elo que fundamos, e, afinal, dizendo, FELIZ NATAL, estamos reafirmando a soma, somos parte dela, e então o Natal verdadeiro se concretiza na comemoração, numa soma edificante e naquilo tudo que nos fará ainda mais verdadeiros Cristãos. -Boas Festas, Feliz Tudo – Feliz 2012 Poeta Silas Correa Leite – Musa Rosangela Silva Estância de Santa Itararé das Artes, Cidade Poema, Sampa, Brasil 2011 E-mail: poesilas@terra.com.br Site: WWW.itarare.com.br Blog: WWW.portas-lapsos.zip.net (Crônica da Série “Eu Era Feliz Quando Era Natal”)
Escrito por Silas Corrêa Leite às 12:52
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Poema: M Á S C A R A S Trabalhos de Alunos da EMEF “José de Alcântara Machado Filho” – Coordenadoria Butantã “Todo mundo tem máscara” Batman As máscaras são Caras más – dão Nos tempos distantes, e contam A África-Mãe; ancestrais De negredos coloniais As máscaras africanas De banzos, naus e savanas Anjos e demônios são De cultos típicos, tribais De muito tempo atrás... As máscaras de entalhes; de tantos desenhos e cores E tintas, danças, diásporas, tristices e dores Más/Caras exorcizando antigas escravaturas e disputas tribais Na escola pública de São Paulo, trabalho docente De afrodescendentes – e dessa brava gente Do afrobrasilis colonial até brasileiríssimos de desígnios atuais São máscaras criadas por alunos da escola Más/Caras que pintam a historicidade; o que consola São artes de tantos Alunos cujos perfis retratam os seus pais A máscara tua – a máscara minha A cartolina, a tinta, o papel, a linha Do tempo. Preto e branco – preto e banto A máscara minha – a máscara tua Os negros, os símbolos - o sol e a lua Retratando uma historicidade, no entanto Máscaras Más – Caras Exílios, moendas e engenhos, diásporas Afugentam fantasmas de uma história inteirinha... A nossa brasilidade ainda há Nos desenhos em que o próprio povo está A negritude retratada. A história caminha... Por isso tantas máscaras ainda são Dos filhos deste solo – Dos filhos deste chão A luzeira alma da África Brasileirinha! -0- Poeta Professor Silas Correa Leite Blogue: www.portas-lapsos.zip.net EMEF José de Alcântara Machado Filho Real Parque, Morumbi, São Paulo-SP E-mail: poesilas@terra.com.br >
Escrito por Silas Corrêa Leite às 19:32
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O Que Aprendo Sendo Itarareense 1)-Abraçar pessoas, causas, bares, recantos, ranchos, rios piscosos, histórias, crianças, animais, e até as mais belas saudades ricas 2)-Que amar transcende, e amar quem ama Itararé é ser a outra asa de uma asa de luz que fez ninhal em nosso berço esplêndido 3)-Lar doce Bar. Há bares que vem pra bem. Quem espreme limão com açúcar na pinga sempre alcança (uma caipirinha, claro) 4)-O mundo gira e Itararé permanece, e há no céu uma Itararezinha celeste... 5)-Ter a alma doce, um sentimento boêmio, a mão estendida e uma luz interior fora do sério 6)-A arte como libertação. Itarareense é artista pela própria natureza, nasce assoviando e morre ouvindo cantar os pneus no cacau quebrado (paralelepípedos) de nossa Santa Terrinha Encantada 7)-Somos todos irmãos. Até os extraterrestres. Periga ver 8)-Chupar limão e tomar uma cerveja geladíssima em cima, é da hora, do momento, do habitat, do lugar notívago que a Estância boêmia de Santa Itararé das Artes sempre foi 9)-Dormir abraçado com a musa pedaçuda, a mulher amada, a amiga e companheira, tudo a ver, tudo a ser 10)-Ser de esquerda e ser sociável, ser socialista e humanitário, ser ético e amigo de todos (Itarareense não tem inimigo, o inimigo é que o têm) 11)-A carteirinha de sócio do Clube Atlético Fronteira vale mais do que a identidade, a de motorista, o passaporte diplomático 12)O Itararé-ês é a nossa língua paraoficial. Linguagem pegajenta e lisa como quiabo 12)-Existe tanta gente bonita em Itararé, que fora de Itararé é uma feiúra generalizada, e quem namora gente de fora dá literalmente com os burros nágua ou leva chapéu de vaca 13)-Itarareense faz poesia para se teletransportar e entrar numas, já que sabe que o buraco da Barreira é mais embaixo 14)-Ressaca é psicológico, é igual gravidez psicológica, até porque, Itarareense não nasce, estréia na Santa Terrinha; Itarareense burro nasce morto, e Itarareense quando morre vira Andorinha sem breque e vai morar no céu com o Jesus Casado e o Miro Vaca que do outro lado abriu um Bar Chamado Fecha Nunca que fechou aqui mas lá é aberto para sempre... -Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br www.itarare.com.br
Escrito por Silas Corrêa Leite às 10:36
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PALESTINA Nos velhos mapas do mundo, entre manuscritos e relíquias Entre sextantes e mapas de tesouro A Palestina está lá Um grande espaço geográfico no papel Uma terra, um povo, e uma sentença Terra árabe de um tempo, um lugar. Uma sagrada historicidade milenar Hoje as mães palestinas choram os filhos mortos De uma terra que há no historial Mas querem anular o que há E a terra chora em sangue e lágrimas Pois querem matar a Palestina Que ainda está no coração, na alma de seu aguerrido povo que luta Não é só uma bandeira ou um hino que funda um povo É alma historial desse povo, a Palestina Que grita em todos nós Um espaço que seja pátria e seja livre Sem diásporas, sem fronteiras, sem medo Porque a Palestina está no mundo Com a historia sendo remorso. E o espírito da Palestina grita em nós! -0- Silas Correa Leite – Itararé, São Paulo, Brasil, E-mail: poesilas@terra.com.br www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por Silas Corrêa Leite às 11:36
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Desdizeres Letrais * Deus não inventou a linguagem, mas inventou os asteriscos e as reticências * Noites são lágrimas que não viraram freiras * Só os vermes sabem onde o bicho tá pegando * Elefantes não esquecem. Por isso ficam de tromba. Esquecer é divino. * Os liberais colaboram com as autoridades: cometem crimes perfeitos * Grávidas suicidas criam futuros artistas dadaístas * Um avião cheio de tucanos caiu no Amazonas. Isso é o que se chama dar com os burros nágua * Inferno são as ostras. E perolizam lágrimas náuticas * Se a Malu Mader existisse naquele tempo, não seria o Napoleão o Bom Na Parte * Grilos são flautas homeopáticas * A solidão de Deus produz monstros * Escreveu não leu é semi-analfabeto * É errado dizer duas vezes duas vezes * Era tão aparecido que no velório queria ser o defunto * Tarado não: liberal esquizofrênico * Se tamanho fosse documento anão seria objeto não identificado * Se todos os idiotas se dessem as mãos, quem é que iria ligar a televisão * Se casamento fosse bom não enchia barriga * Eu sou um bom professor, mas, na minha classe nem Coca cola * Tem gente que se ficasse quieto faria um bem enorme ao silêncio * O mundo é das mulheres. Perguntem aos psicólogos * O cara era tão mal informado e mal resolvido que achava que sexo seguro era quando pegava no do amigo * Tem gente que acorda de noite chorando, não pelo que sonhou, mas pela dura e triste realidade que encontrou ao voltar * Casamento perfeito: marido surdo e mulher muda * Tem padre que é tão mal dissimulado, que só aceitou a profissão para poder usar saia preta * Tem gente que quando está a sós consigo mesmo, deveria ser preso em flagrante por abuso de desnatureza usurpada *
Escrito por Silas Corrêa Leite às 13:26
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Loucos e Santos
Escolho meus amigos não pela pele ou outro arquétipo qualquer, mas pela pupila.
Tem que ter brilho questionador e tonalidade inquietante.
A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e agüentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco.
Quero os santos, para que não duvidem das diferenças e peçam perdão pelas injustiças.
Escolho meus amigos pela alma lavada e pela cara exposta.
Não quero só o ombro e o colo, quero também sua maior alegria.
Amigo que não ri junto, não sabe sofrer junto.
Meus amigos são todos assim: metade bobeira, metade seriedade.
Não quero risos previsíveis, nem choros piedosos.
Quero amigos sérios, daqueles que fazem da realidade sua fonte de aprendizagem, mas lutam para que a fantasia não desapareça.
Não quero amigos adultos nem chatos.
Quero-os metade infância e outra metade velhice!
Crianças, para que não esqueçam o valor do vento no rosto; e velhos, para que nunca tenham pressa.
Tenho amigos para saber quem eu sou.
Pois os vendo loucos e santos, bobos e sérios, crianças e velhos, nunca me esquecerei de que "normalidade" é uma ilusão
imbecil e estéril.
Oscar Wilde
Escrito por Silas Corrêa Leite às 11:39
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Pasárgada Eu fugia, na leitura. Eu me escondia, na poesia. Até que dei-me a escrever, íntimas fugas Solos de escuridões pessoais A dor, o estertor do horror, o pântano da condição humana. Quando criança, gostava de brincar de casinha. Quando aborrecente, gostava de brincar de médico. Cresci, brinquei de ser poeta, sofri muito E tenho hoje a poesia que é minha casinha ainda E onde, com o bisturi da alma Tendo entender esse incompreensível mundo adultizado. Ainda fujo, no escrever. Que mundo me sou? A poesia, minha terra do nunca. Itararé, saudosa Pasárgada, aldeia-mãe. Em Samparaguai, ainda sobrevivente, embrutecido e triste Compreendo que a poesia me salvou de mim E, a arte, como libertação Permitiu-me, de alguma forma, algum jeito de levitar muito além de atingir o inacessível chão... A alienação, na poesia Tornam os sensíveis brucutus, sobreviventes E assim, a casinha da infância é sempre A estrela da manhã de uma Itararé de antigamente Entre gibis do Mandrake, do Fantasma, do Pernalonga ou do Flecha Ligeira Como memórias dessa existência estrangeira E da alma triste de um poeta eterno aprendiz, na escurez muito além de uma compreensão inteira. -0- Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, Cidade Poema E-mail: poesilas@terra.com.br BVlogue: www.artistasdeitarare.blogspot.com/ Site: www.portas-lapsos.zip.net
Escrito por Silas Corrêa Leite às 11:40
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DESAFINADO
Está chovendo no roseiral
O céu tem nuvens sob lonas azuis
Talvez seja Elis cantando um blues
Águas de março muito além do fim
Ou talvez só seja o Tom Jobim
Com lágrima no uísque celestial.
Silas Correa Leite Itararé-SP - E-mail: poesilas@terra.com.br WWW.portas-lapsos.zip.net
Escrito por Silas Corrêa Leite às 10:41
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Hino Ao AmorO céu azul sobre nós pode desabar, E a terra pode bem desmoronar, Pouco me importa. Se você me ama, Eu me lixo do mundo inteiro. Enquanto o amor inundar as minhas manhãs, Enquanto o meu corpo tremer sob as suas mãos, Pouco me importam os problemas, Meu amor, já que você me ama. Eu iria até o fim do mundo, Eu tingiria meus cabelos em loiro, Se você me pedisse. Eu iria desprender a lua, Eu iria roubar a fortuna, Se você me pedisse. Eu renegaria a minha pátria, Eu renegaria os meus amigos, Se você me pedisse. Podem muito bem rirem de mim, Eu faria o que quer que seja, Se você me pedisse. Se um dia a vida te arrancar de mim, Se você morrer, se você estiver longe de mim, Pouco me importa, se você me ama, Pois eu morreria também. Nós teríamos para nós a eternidade, No azul de toda a imensidão. No céu, mais nenhum problema. Meu amor, você acha que a gente se ama? Deus reúne os que se amam.
Escrito por Silas Corrêa Leite às 11:30
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Poeminho Árvores de Vidas Eu aprontava muito quando guri, e o pai Vendo que só vara de marmelo não resolvia Dava-me pitos cascudos e punha-me a plantar em casa No quintal frondoso a lavoura de alfaces e milharais Entre o castigo de ler dicionários, jornais e a Bíblia Como eu gostava muito de macarrão, um dia Plantei vários talos de macarrão espaguete Que ficou verde; fui que fui contar pimposo pra mãe Que o macarrão tinha pegado; tava brotando Feito legume em terra chã - com estrume e regador Todo mundo cerriu muito lá em casa esse dia -Tá encardido, disse a minha irmã Sueli de tromba Erzita outra irmã explicou que estava era apodrecendo Porque macarrão não cresce em árvores como pitanga Ou como gabirova, jabuticaba branca ou ariticum E eu que já tinha sondado outros plantios e regas Numa lavoura até de macarrão-gravatinha, ou, ainda Pés de salsichas em lata, pés de Crush, tudo para mim Que pensava dar em árvores – até arvore de passarinhos Como galho de pencas de pardais no meu encantário... Pelo jeito eu ainda criança já era poeta – e não sabia A árvore da vida dá sofrências e alegranças também Contei pro filho Thiago o pé de macarrão que um dia plantei E ele todo ridente soube que seu pai um dia também foi criança E errou, pintou e bordou. Mas também sonhou e venceu Hoje meu filho Thiago Frederico é a minha árvore Que já teve lágrimas mas florirá muitas esperanças na vida E nos canteiros da terra semearemos além do nosso reencontro Árvores de abraços, afetos, conquistas, pertencimentos Porque, afinal, todos somos flores e frutos dessa vida -0- Silas Correa Leite – www.portas-lapsos.zip.net E-mail: poesilas@terra.com.br
Escrito por Silas Corrêa Leite às 15:18
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DNA – Deus Não Abandona (Quase Mantra-Fado-Blues) Para Antonio Moura, Poeta Popular de Itararé Os ricos tinham medo de mim porque eu era pobre Os pobres tinham medo de mim por que eu era inteligente Os ricos inteligentes não entendiam um pobre inteligente Então procuraram ficar amigos pois eu podia ser um futuro concorrente Mas eu era pobre; ricos com estudo ou sem estudo são sempre ricos. Pobre não pode errar. Não tem direito de errar. Era errar e voltava para a idade da pedra lascada. Então eu dormia para não errar, comia para não morrer, me matava de trabalhar para deixar de ser pobre um bendito dia E estudava feito um condenado à vida para nunca ser um pobre burro pelo menos Isso não modificou tudo, mas mudou muito, embora não mudou o básico: Os ricos continuam ricos e impunes. E estudam ainda mais para saberem como ter mais lucro, mais riquezas injustas, com logística e estatística... Então por que é que eu que não sou mais pobre, mas também não sou rico, vou deixar de trabalhar Ou deixar de estudar para, pelo menos, sendo um não rico como eles, pelo menos dar um couro neles, ser inteligente acima deles? Como Luther King, Mahatama Ghandi e tantos outros Sim, são meus ídolos. E não guardaram ódio. Guardaram conhecimentos. Guardaram atenção e vigília. Sim, eu jamais serei como eles, mas também sei o que eles sentiram quando passaram fome Quando dormiram na rua, quando estiveram com medo Quando cantavam mentalmente poemas como sutras e mantras, quando não podiam, sequer ser reconhecidos como existentes, como seres urbanos, como seres humanos O pior de tudo é que precisamos não nos perder de nós; vencer a nos mesmos Esse é o ócio do oficio. Tarefa dura. Cansamos. Pelejamos. Sofremos porque não temos estrutura molecular; somos emocionais, sofremos os problemas de sermos filhos da terra... afrogentes O que deixaremos quando nos formos? O que plantamos de atos e palavras. E contarão uns aos outros, entre fogueiras de computadores velhos. E dirão que tudo não passou de um sonho. Alguém certamente vai me estender a mão um dia. Pagaremos nosso preço. E existirão ricos. E injustiças. Mas também existirão pobres que trabalham e estudam. E criam. A arte como libertação. Não vai mudar muito. Não vai mudar tudo. Mas vai ser um plantio. Uma seara. O lobo e o cordeiro no mesmo campo de lavanda ainda é um sonho... Mas estamos nos movimentando. Estamos em busca. Caminhamos. Marchando. Os ricos entre núcleos de condomínios com câmeras de vigília nalgum satélite artificial do sistema solar ouviram nossos vagidos. Um após um eles ouvirão. Em letras, em músicas, em artes. E seus filhos cantaram nossas letras e musicas. Essa será a nossa primeira plantação. Dentro deles. Entre eles. Por nós. Até que a morte nos una e a dor nos fortifique... -0- Silas Correa Leite www.portas-lapsos.zip.net E-mail: poesilas@terracom.br
Escrito por Silas Corrêa Leite às 17:03
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