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BRASIL, Sudeste, ITARARE, Planeta Cerveja, Centro Velho de Mim Mesmo, Homem, de 46 a 55 anos, Portuguese, Spanish, Arte e cultura, Livros, Sobreviver, Escrever, Resistir
 

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As Escolas não ensinam, mas deveriam ensinar

Texto de Silas Corrêa Leite

01)="Deveriam" Ensinar, a partir do próprio projeto pedagógico como um todo (“ensino-aprendizagem”) que a vida não é nada fácil, e, com uma didática hábil e construtivista nesse sentido, satisfatoriamente dariam então chances concretas aos alunos de terem o devido conhecimento de, como, na realidade funciona a difícil vida fora do lar, fora do bairro, fora do circuito escolar; assim todos os alunos se preparariam muito melhor – e, claro, se sairiam bem melhor depois, no mundo real, na concorrência, no mercado de trabalho - até mesmo nas atividades sociais, principalmente nesse nosso injusto e nada ético tropical capitalismo selvagem, onde todos sobre/vivem em eterna luta entre contrastes sociais, constantes mudanças e seqüenciais reciclagens evolutivas sem parar.

02)="Deveriam" Ensinar que, a sociedade como um todo, na verdade tá pouco se lixando pra tal sensibilidade jovial do aluno, pro seu bem viver salutar, pra sua vontade de ser feliz plenamente apesar de tudo, pra sua auto-estima. O ser-cidadão que o aluno em si deve representar num contexto todo, vai ser como uma espécie literal de “laranja”. Enquanto der caldo bom além do quesito da mais valia, será devidamente usado (sua força física como motor, sua mente produtiva na flor da idade) depois, que virar bagaço, não servirá mais pra nada, será descartável. Esse é o pensamento único de nosso capitalhordismo americanalhado terceiro-mundista.

03)="Deveriam" Ensinar que, na verdade não há emprego para todos, essa é a real. Como no mundo animal, numa comparação imediatista que seja, o mais forte, o mais rico, o mais culto, o mais inteligente, o mais determinado e, eventualmente até o mais bonito é que superarará o outro em situação assim de inferioridade. Os outros (...) serão os “manés”, os descamisados, os excluídos sociais, os rejeitos por algum motivo ou força de irrazão de mercado. A Escola é uma saída. Talvez seja a única saída. E eles, os alunos, devem mesmo estudar M U I T O !. Depois, trabalho, poupança (sacrifícios) e mais estudo constante a médio e longo prazo, sem parar, quando o herói, o forte, o sobrevivente, o poupador – sim, o CDF cara – e determinado é que sairá vencedor e será quase que um novo lobo entre lobos...

04)="Deveriam" ensinar que, depois do Pai, da Mãe, o Professor deve ser, tem que ser sim (procure que ele seja mesmo de qualquer maneira) o melhor amigo do mundo. Se você acha o seu mestre chato, baby, espere só pra ver o seu guarda-noturno, o seu síndico, o seu inspetor de alunos ou de quarteirão, o vigia do shopping, o policial, o delegado, o primeiro patrão. Patrão é um pé na...rotina. Quem estuda muito, vira chefe, vai acabar dando ordem, e mesmo o patrão pega leve com ele, sacou? Aliás, quem não estuda vai ser o peão na escala que gira adjacente à triste relação capital-trabalho. E o patrão não respeita quem fala mal, escreve mal, fala gírias, usa roupas berrantes, é uma aberração num radicalismo vazio de rebelde sem causa. Quem não estuda é um pato da situação, vai ser explorado de todo jeito, salvo, é claro, honrosas exceções em casos bem excepcionais. Então, o seu “professor chato” (você vai e lembrar nessa hora) será então lembrado como um doce, um anjo. Você ainda terá muitas saudades dele que pegava no seu pé, puxava pela sua cabeça, estava do seu lado e não contra você ou tirando lucro com seu suor, a sua lágrima, o seu sangue Isso é capitalismo, filho. Tá boiando, é ?

05)="Deveriam" ensinar que, se for para catar latinhas...que o idealista (ou por força imperiosa de precisão) monte uma equipe determinada, funcionalmente hábil e produtiva. Adote valores essenciais. Bote uma turma pra fazer isso pra você, use a cabeça. Monte uma usina de fundo de quintal. Distribuía serviços, afazeres, técnicas, manejos, reciclagens, visão auto-sustentável, orçamentos, gráficos e produções. Além disso você pode ser um gerente, um dono (micro empresário), faturar algum, numa boa, ganhar dinheiro só usando o pensar/criar com inteligência...que praticou aonde? Na Escola. Isso vale até para servir de parâmetro, gerar emprego no meio familiar, entre outros acertos circunstanciais. Nenhum emprego é vergonha. Se você souber administrar um problema, uma situação, uma necessidade ou carência, cada condição será lucrativa, dará certo. E poder. Status. Oferta e procura. Lei de mercado. Você cabulou essa aula? Muita gente começa montando sua empresa em casa, seu primeiro negócio, e depois vira empresário dessa forma, aos poucos, com muita dedicação, visão, sentido de busca. Ninguém começa de cima. Milagre é só no reino da fantasia. Deus não dá asas para quem não sabe nem estudar direito...

06)="Deveriam" ensinar que, se você cair, mano, a culpa é toda sua, tá ligado? Seus pais e mestres não têm culpa nenhuma. Você é o responsável pelo que você se tornar. Se você fizer besteira, hasta la vista baby, a culpa é toda sua, sem tirar nem pôr. Você, só você, é responsável pelo seu sucesso ou fracasso, Pense nisso. Você vai se prestar contas um dia, mais cedo ou mais tarde. Isso vai doer muito, sabe? O que você conseguiu ser, o que você não soube ser. Não há desculpa no fracasso, na caída. Ninguém chuta cachorro morto. E você pode fazer do lugar em que estuda, o “lugar-pessoa” que você é e se tornar um grande vencedor. Qual é a desculpa agora? Saia dessa.

07)="Deveriam" ensinar que os pais são sagrados. Você não está aqui para julgá-los. Não tem esse direito. Você vai é poder julgar os seus filhos, quando eles fizerem as mesmas besteiras que você fez, feito alienado entre colegas estúpidos. Seus pais venceram em situação muito pior do que você. Não estão aqui para sustentar você. Eles são heróis e você ainda quer criticá-los? Quem é você para se insurgir contra seus pais? Comece a mudar agora a sua cara, o seu jeito, o seu quarto, a sua casa, seu enfoque, ou, no dito no popular, curto e grosso: vá trabalhar, vagabundo!

08)="Deveriam" ensinar que, se a Escola passa todo mundo - você já ouviu isso? – na vida real lá fora não é bem assim, todo mundo afina, treme, titubeia, cede, refuga, quando não rasteja feio. A realidade é outra. A verdade dói. No colégio tem de merendeiro a psicólogo, de assistente social a professora substituta pra você torrar a paciência, de servente a coordenador pedagógico. Na vida lá fora, a barra tá pesada, baby. Ninguém vai passar por você, o que você mesmo tem que passar para ficar com o couro grosso, aprender valentias de percurso, crescer, ser alguém que preste, se souber ser. Você pode até não repetir no ciclo escolar, mas vai levar pau no vestibular e na escola da vida que é muito mais difícil de encarar. E vai ser um zero a esquerda na vida. O mundo lá fora é pra tigre, você é um gatinho mimado? O mundo lá fora é pra guerreiro: você é manteiga derretida, turrão, frouxo ou xarope? Um tapinha não dói...

09)="Deveriam" ensinar que a cada turno da vida, há uma paulatina evolução. E quem ama pune. E quem é vivo aprende, pega o jeito, adapta-se, cria alternativas. Quem se educa, cresce. Tudo é motivo para grandes esperanças, energias canalizadas num propósito superior, geração de empreendimentos, pois sem orar e vigiar não somos nada. O que você vai ser quando crescer? Um derrotado? Um filhote babão alegando que não deu sorte na vida?. O tempo é aqui e agora, o banco da sala de aula. O momento é já. Você vai ficar aí parado, caçando calma pra se coçar, quando a vida é empenho e viver é lutar? A vida só favorece grandes batalhas, para os fortes, os especiais, os grandes que querem ser heróis e enfrentar situações-limites com coragem e esforço fora do comum, levantando muito cedo, dormindo muito tarde, estudando em finais de semana, feriados, férias, lendo, pesquisando sempre. Tudo o que é fácil pra você, torna você uma presa fácil na vida bandida lá fora. Qual é a sua cara pálida? Tá surtando, é ?

10)="Deveriam" ensinar que, no vídeo-game a vida ganha pontos vitais, que no cerol você faz sacanagem, e corre o mesmo risco na próxima tentativa de subir fácil, que na droga você cultua neuras e imagens fáceis de sucesso, pois o esquema ilude você, você é vítima e pensa que é só um usuário que tem o controle de tudo, dando grana pra marginais. Babaca. Na violência você planta o seu fruto podre, o seu futuro de derrotado. Na terra tudo é ilusão, tudo é sonho, quando não infâmias e sandices. Para ser alguém na vida, você terá que ralar muito, tem que esquecer o bar, o forró, o carnaval, a mina, a praia, a turma da pesada. Qual é a sua cara, vai encarar ou fazer firulas com rapagões, perder tempo precioso?. Machos dançam também. A tatuagem não te dá diploma. Nem o rock ou o surf ou no skate e o rap. Lembre-se, o cara CDF que você zoa, e que pra você não passa de um babaca e que no seu entender limitado é puxa-saco dos professores, ainda vai brilhar, vai ser alguém, ser importante, ser feliz, fazer a diferença. E você, seu mané, acredite, você vai ser empregado do filho dele, trabalhar pra ele a troco de banana, e depois ainda achando, quando acabar velho e tolo, pobre e frustrado, feito um radical que dançou feio, que o sucesso cai do céu. Não cai. O sucesso não acontece por acaso. Os ricos estudam para ficarem ainda mais ricos, continuarem ricos, para não perderem posses nesses tempos difíceis. E você, não vai estudar por quê? O trabalho é o melhor remédio, mas, além, de correr trás do prejuízo – o mar não tá pra peixe – você vai ter que tomar uma decisão e partir pra cima do seu sonho, refazer sua vida. Deixe de ser molenga e vá a luta. Não pule etapas. Não perca tempo. O amanhã espera por você, e numa curva do tempo o futuro que virá cobrar erros e descaminhos. Não tem desculpa. O que é que você vai fazer de sua vida? Cabular aula? Colar na prova? Mentir pra você mesmo? Brigar com o Professor? Depredar a Escola? Entrar numas? Dos melhores alunos nascem os melhores cidadãos, os melhores críticos, os melhores VENCEDORES. Qual é a sua opção? Faça a escolha certa.

Silas Corrêa Leite – De Itararé, SP/Brasil - Educador, Jornalista, Escritor, pós-graduado em Educação, Literatura e Jornalismo (ECA/USP) – Ganhador do Prêmio Lígia Fagundes Telles Para Professor Escritor (Edição 2004)

Texto da Série “Inventários e Partilhas”

 

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Escrito por Silas Corrêa Leite às 10:13
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Fortaleza (Salmo)

(1)-Porque Deus vai nos dando Coordenadas/Dentro do que vemos, passamos ou intuimos/Ou do que não vemos. E sentimos…/Porque Deus quer o melhor para nós, para a nossa evolução/E às vezes precisamos ouvir o que não queremos mas precisamos ouvir…/E Deus vai nos dando pistas…sinais/(A força que nos alerta)/E só nos reconhecemos e nos recolhemos em nós/Quando estamos em Deus/E estar com Deus é pensar Nele em sua santidade e edi
ficação/

(2)-Porque Deus nos deu de identidade uma bússola no interior de nós/Uma espécie de sextante no íntimo/E assim O divisamos como uma ilha de misericórdia e refúgio nessa difícil e incompreensível Viagem de existir…e sobreviver/A existência é Deus e os sinais Dele/São tão claros que às vezes nos cegam/Ou a nossa procura e o nosso olhar imediatista é limitado em potencial, pequeno/Quando os códigos de Deus são altaneiros, quase incompreensiveis/E a decodificação passa pela transparência de nossa alma edificada em portos de encalhes…/

(3)-Às vezes Deus cansa de nos dar sinais/E quando estamos perto da lanterna dos afogados/Deus então nos alerta e nos supreende/Pela dor, pelo acidente, pelo drama, pela perda dura e inexplicável para o nosso ver sentir comum/E então quebrados somos despertos e finalmente olhamos para o alto/Pedindo um socorro doloroso, amargo/E finalmente procuramos Deus como sustentáculo lá no mais recôndito de nós/E então caímos em nós e na nossa finitude e miserabilidade/Pois nem tudo o que nos foi dado de luz e exemplo pela graça de Deus nos pertence/Tudo é lição, referencial, vivência de aprendizado existencial/E nesse choque nos reencontramos com Deus num vale de lágrimas para finalmente limparmos os olhares de ver e olhares de sentir/E contemplamos o Criador em sua plenitude celeste/Inclusive de recolhedor do que nos deu como sinal de exemplo e de grandeza/

(4)-Seguindo as Coordenadas de Deus/Somos instrumentos Dele; a grande esperança do perdão Dele/E então O tendo conosco e dentro de nós/Nosso espírito sofrido e atribulado se refrigera/Somos de alguma forma recompostos/E inexplicavelmente ficamos fortes na dor, quando aprendemos/E ficamos santificados novamente pela eterna esperança da promessa ciclal do bendito Reencontro/E então enfrentamos tempestades e furacões/Porque renovamos as forças em Deus/E Ele nos dá uma nova estatura de fortaleza/De infinitas sustentações!

 

Silas Correa Leite

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 11:14
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Escrito por Silas Corrêa Leite às 18:14
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Range a Rede Cósmica


Eu tenho ossos de vidro, veias de vidro, pele de vidro
E farei dos meus inenarráveis tristes temores
Todas as minhas lágrimas, lembranças e dores

Eu tenho olho de vidro que feito um caleidoscópio
Chora todas as naturezas das vidas telúricas
Semeando lágrimas de sangue sobre a terra

Eu tenho alma de vidro e lamento por existir
No pântano horrendo da condição humana
Por isso escrevo cacos de espelho no íntimo

Eu tenho espírito de vidro e o que é que faço aqui
Na terra - o inferno do espaço, a purgar-me
Pagando erros e pedindo para escapar, fugir
.......................................................................................
Quero deixar de ser vidro - não quero essa amargura
Mas ser vidro está num chip da minha placa de captura

-0-

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Letras-SP
E-mail:
poesilas@terra.com.br
Blog premiado
www.portas-lapsos.zip.net


Autor de “O HOMEM QUE VIROU CERVEJA”, Crônicas Hilárias de Um Poeta Boêmio, Giz Editorial, SP,

no prelo, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009



Escrito por Silas Corrêa Leite às 10:55
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A Cura (Orbitação)

(Poema Querendo ser Letra de Rock)

 

A aspirina não cura a dor da consciência

A cocaína não bota luz na sua ausência

O ipod não vai te levitar

Range rede mas é só um som virtual

Que cura

É a sua loucura

Nessa entrevada procura?

 

O papo de bar é só uma luz no seu self

Igreja não vai substituir você de você

O humor é colírio no espírito

Ser feliz é muito mais que casual

Que paz

Que você corre atrás

Se mudanças em si não faz?

 

Fugir é sempre muito dentro da gente

Vegetar é um futuro ponto de interrogação

Morrer é de todo jeito

Só os imbecis são quimicamente felizes

Que razão

É a sua orbitação

Sem noção existencial?

 

-0-

 

Silas Correa Leite, Itararé-SP

E-mail: poesilas@terra.com.br

www.itarare.com.brsilas.htm

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 09:03
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Escrito por Silas Corrêa Leite às 09:45
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Crítica:

 

 

 

Livro Licânia, Contações Bonitas do Escritor Clauder Arcanjo

 

 

“As batalhas nunca se ganham.

Nem sequer são travadas. O campo

de batalhas só revela ao homem a

sua própria loucura e desespero,

e a vitória não é mais do que uma

ilusão de filósofos e loucos...”

 

 

William Faukner, O Som e a Fúria

 

 

 

 

 

 

A obra Literaria “Licânia” de Clauder Arcanjo por si só já se apresenta esteticamente bonita, principalmente enquanto projeto técnico-editorial também. E você, logo de cara, fica curioso a pensar de curtir para o mais breve momento possível o poder possuir o livro, adentrá-lo a partir da própria bela sedução do projeto da Capa (Tobias Queiroz//João Helder Alves Arcanjo).

 

Depois você para a correria da loucura que é a labiríntica Sampa de tantos contrastes sociais e impunidade generalizada, se aquieta como pode na medida do possível, se acomoda entre um blues e um copo de cerveja, e entra de cara na obra, vivenciando a expectativa de um estar-Crusoé em lugar novo, cidade do interior, procurando o entretenimento do remanso possível na arte. E pesca o primeiro conto “A Casa”.

 

Alias, você entra literalmente nela pela mão do autor também cativante pelo modo que cria seus contos, contos-crônicas, narrativas cativantes, bonitas. Você “vê” o tipo nas palavras, como elas se apontam e conduzem você serenamente. O veio da narração entorpece, leva, consolida a imagem da contação. Lindo enlevo. Qualidade ficcional.

 

Rua: casebres e mansões. Panos do tempo. Carcaças entrecortadas feito memoriais de percurso e releituras de vida com suas tantas significâncias de amor e dor. Arquivos e seus musgos. O colégio. A música. A vida com suas perdições e harmonias, levada na flauta. A sonata, o boné.

 

Contações gostosamente perfeitas. Clauder Arcanjo e a dor-partituras das suas histórias. Personagens maviosamente humanos resgatados, pinçados, pintados assim no palavrear aqui e ali costurando um lado meio zen-bucólico.

 

Identidade: a bruta dor. O Conto-ideia Cemitério, então, terno, paradoxalmente assustador pela loucura-leveza que prediz da criação-condução de. Daria um belo romance bem interessante, se o autor o aumentasse e fizesse tomar vulto para tanto, na engenharia das palavras para as quais tem belo acervo de recursos.

 

Pensei aqui e ali no Incidente em Antares, de Érico Veríssimo, mas o conto se virasse obra maior e encorpada, teria ainda mais beleza poética, com trejeitos da cidade que loca Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marques, algo mágico, o encantamento depois da morte, da fatalidade, uma cidade-nuvem, assim, alumbramento-lugar. Ainda um conto e tanto, o melhor do livro.

 

“As historias não são nossas(...) São daquele que fez o caminho no caminhar” (In, pg 52, Pó do Chinelo). A vida tem as tintas, tem os remorsos, mos e pós do tempo que nos enlivra nas acontecências também. Lindo conto O Sineiro. Tocante, quase mágico-poético. O conto O Riso do Cão tem um “de-que” de causo, bem delineado, feito histórias que o povo conta.

 

Os contos te tocam com leveza, acenam, despacham-se e lá se vão, leitura a fora, revelações a dentro, mais a imaginação do leitor que também pesa ao assumir de per-si o que lê e alumbra em sua mente envolvida. 

 

E me fizeram evocar o retratista de meu tempo de criança, la na minha aldeia-mãe de criação, na linha do tempo pitoresca, o lambe-lambe capturando as entranhas da alma das coisas, das pessoas e paisagens, de sombras e penumbras delas, da cidade entregue ao deus-dará, de seus pretos e brancos, pretos e prantos, escombros e ramificações humanizadas de.

 

Clauder Arcanjo é um retratista das palavras. Coloca em sépia alguns momentos, figurando-os, com ternura e leveza. Mas sempre mantém o norte da mão em seu caudal criativo, somando fatos imaginário, suas construções arejadas, arquitetura de palavreiros, feito assim ainda um recolhedor de pertencimentos de seu tempo, sua época, com seu olhar ora irônico, ora cheio de humor, mas num delineamento que enserena verbos, tópicos e finais. A baunilha dos parágrafos.

 

Traz a singeleza da vida pro livro, para o seu tão peculiar contar. Descreve cores e cenas com fruição embonitada da própria riqueza do olhar extremamente sensível. Um retratista de qualidade pescando no remanso do cotiadiano dia-a-dia de uma pacata cidade do interior, que se alimenta de seres e de suas sensações e movimentos. Licânia. Contos, ou todos eles aparelhados formando um romance?

 

Clauder Arcanjo encorpou um livro bonito, que se apresenta bem e encrespa a cabeça do leitor com gosto de, ao final, querer mais e o que era bom acabou-se, quem leu arregalou-se, como dizia o Palhaço Buscapé de meu circo de antigamente.

 

O escritor provendo sua situação de estar no mundo. Julio Emilio Braz (Histórias Maravilhosas de Povos Felizes) diz que as histórias que contamos nos dão a eternidade...

 

Clauder Arcanjo desenha momentos resgatados de vidas no que muito bem retrata literariamente. E se faz parte do acervo literal pelas suas próprias mãos e com a sua bela paleta arquitetural de contações em alto estilo.

 

 

-0-

 

Silas Correa Leite

Santa Itararé das Letras, São Paulo

E-mail: poesilas@terra.com.br

Teórico da Educação, Jornalista Comunitário, Conselheiro em Direitos Humanos

Pós-graduado em Literatura e Arte na Comunicação (USP)

Autor de O Homem Que Virou Cerveja, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia, 2009, Giz Editorial, SP

Blogue: www.portas-lapsos.zip.net



Escrito por Silas Corrêa Leite às 17:49
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Presentes

 

Coloco meus chinelos de adulto atrás da porta

Talvez a espera de um presentinho de Natal

Estou velho, cansado, mas o que me importa

Se por dentro me sinto uma criança, afinal?

 

 

Mas no outro dia tenho medo de me levantar

E de ir ver qual resposta tive nos chinelos

Olho o céu dardejando entre raios amarelos

Como se houvesse um outro futuro a me esperar

 

Passa o tempo e lá por quase um meio-dia

Levanto e descalço vou meio que escondido

Feito criança outra vez, com alguma fantasia

Procurar presentes, ver o que tinha acontecido

 

Sobre meus chinelos só poeiras e picumãs

Ponho sentidos em metáforas tão sombrias

De que são feitos os raios dourados das manhãs

Se não presentes de Deus para nós todos os dias?

 

Silas Correa Leite



Escrito por Silas Corrêa Leite às 14:50
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Pequena Resenha Crítica

 

 

CHORUMES: Os Poemas “Anjos Afogados” de Marcelo Ariel

 

 

“Os seres humanos me assombram”

 

Markus Zusak

 

In, A Menina Que Roubava Livros

 

 

 

 

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Espantalhos: seres reses. A máquina de existir é a máquina de parir seres. Serão seres? Existem? “Existir a que será que se destina?”, perguntou cantando Caetano Veloso. O Poeta de Cubatão, Marcelo Ariel, sabe. Deve doer saber. E nos responde por tabelas ou diretamente nas fuças com horror de ver, viver e escreviver: anjos afogados. Anjos em fios de alta tensão. A morte-amor. Choro e ranger de dentros. Jean-Paul Sartre dizia que ninguém é escritor por haver decidido dizer certas coisas, mas por haver decidido dizê-las de determinado modo.

 

A chocante Poesia de Marcelo Ariel é uma fronteira cercada de destroços por todos os lados. Vidas-Socós. As duras realidades focadas na névoa-nada. A vida sobrevivencial lançando chamas na UTI do cáustico olhar plausível. A alma sangra entre o chão-diesel e os estilhaços poéticos multicortados de pontos de interrogachão. A cena do crime de existir. Escrever é um modo de estar no mundo, para repugnar-se contra o próprio mundo, e ainda assim sentenciá-lo ao assento de horror.

 

A poesia tirando enterros da alma em pedaços. O revólver quente da criação destrinchando verbos, versos, ver-se, ter-se, verter. Prismas-caças-e-caçadores. Poesia dolor. “Como o céu que dança pra si mesmo/Sem a nossa presença/E depois apaga” (In, Com Miles Davis na Serra, pg.48). Os desterros são íntimos. Os aterros sociais têm seus chorumes dolorosamente lírico-contestatórios por assim dizer. Feito um açougue metafísico de almas letrais.

 

Marcelo Ariel voa com remos. As desnaturezas do ranço humano/urbano/insano. A maldição daquele que respiga as sobras, restos de nadas: sub-seres. E ainda achando poemas aí. Meio Jean Genet Pretobrazyl, um pleno pliniomarcos mestiço nas trincheiras do caos que retrata em fotogramas de amarguras, pintando com lucidez palavral os seus achados e perdidos. Não é fácil. Nunca foi.

 

Um Goya-rimbaud. Os sem cérebro produzem monstros. Como ainda tirar poemas do inferno?. O lusco-fusco não sabe de lágrimas de muito além de Dante. O inferno são os seres. O céu rebrilhante de Cubatão é poluição pesada. A poesia toxina esplende um historial da morte poeticamente homeopática dos que foram soterrados. Em meio ao monturo Marcelo Ariel vaza poemas-lágrimas, poemas duros, tristes, contundentes, assustadoras lascas de seu meio. Filósofo e metafísico. Que ciência há em não pensar sobre? Entre carcaças de todos os tipos e naipes, os poemas-letra-de-rock pesado em valas perdidas. Chorumes-rajadas. Metralhando palavras que se encorpam em peso-visão, brutezas pegajentas. Falou o diabo e aparece o anti-clímax. A vida só é possível reinventada, disse Cecilia Meireles.

 

Poemas sentidos. Há sangue pra tudo. Serão só poemas? Testemunhos-depojos. Não, são também luzes negras sobre macadames de lixões. “A morte não dorme/A alma não pensa/A vida não vive” (In, Veredito, pg 93). Marcelo Ariel é isso: esquisito porque puramente real por mais que isso nos doa. O asco é mais embaixo. Só os imbecis são felizes. Não há sensações no esquecimento. Ai de ti Cubatão-Brazyl! Ensaios de amargedons localizados, datados. Estúdios a céu aberto entre viadutos, chaminés, mangues e resíduos fichados. Entre ratos, abutres, quasehumanos. A sifilização-réstia. O olhar transido é ainda recolhedor sistêmico. Ponches de restos. Sangria desatando subvidas. Os excluídos sociais, os carentes, os sacrificados, as amarguras de. Tudo do mesmo. Paradoxos inexatos que sucumbem entre mesmices impunes. O teatro de absurdos da vida real no seu pior estertor. “Na noite/Se convertendo em transparência sem tempo” (In, Espelho, pg.137). Marcelo Ariel não é fácil também. Somos literalmente atravessados por seus versos de arames em tintas entrecortadas dele mesmo no seu estilo todo próprio de repaginar o que vê/sente/comporta/assoma/redime... liquidifica. Assustador.

 

Marcelo Ariel é um soco de luz no LER. Ler o livro de Poemas “Tratado de Anjos Afogados” é um sopro na acomodação saturada. Poesia puro sangue. Os perdidos nas estrofes sujas da mais descarnada vida são literalmente revivificados. Escrevendo ele tira fantasmas da névoa e diz da dor de havê-los. Dói sentir a dor dos outros. Não há como sarar o mundo; já não é possível curar o mundo. Parafraseando Baudelaire, sob o crânio da raça humana o horror não faz milagres. Os miseráveis precisam de poetas para retratá-los, serem assim disformes registrados em suas condições de subvida, como seres ocasionalmente sobrevivenciais que acabam sendo, entre os chorumes dos condomínios fechados e os tantos insensíveis podres poderes. As cinzas das desonras.

 

Falando sério, cara pálida, é muito difícil resenhar um livro como o Tratado dos Anjos Afogados de Marcelo Ariel. Você procura palavras exatas e não acha, não cabem, querem refugar o sentir, o pensar, o se achar num igual. Não há metáforas que caibam como identificações em poemas de tal grandeza cívica até. Nem são almas penduradas nos varais para secarem os ossos, mesmo que pareçam. Com tanta “informação” (poesia tensão) você fica irado com a carga poética que recebe, apreende, engole a seco; feito um ocasional renunciante à vida. Vida? Como não fazer parte daquilo e se aceitar humano? Que vida? O que é isso? Seres? Que seres? Chorumes.

 

Poemas como incompreendidas nênias entoando impressões digitais de mortos. A carne-vida nos poemas insepultos. Dentro das covas clandestinas desses céus e infernos não há GPS. Que cadáver-vitrine é a raça humana, a civilização por si mesma?  Marcelo Ariel arranca poemas de feridas. Leia-o. Isso é que é Poesia. Venha para o mundo de Marcelo Ariel.  Mas se apronte que vai doer um bocado. No entanto, você também precisa se enxergar no charco, ver a própria lama social entre cacos de espelhos.

 

Subterrâneos de confins. Marcelo Ariel escreve poemas como quem recupera, com sua placa mãe de captura em alta sensibilidade, os suspiros dos sentenciados a sobreviver; como ainda um pior castigo-condenação do que ter que existir.

 

Existir?

 

-0-

 

Silas Correa Leite – E-mail: poesilas@terra.com.br

Blogue: www.campodetrigocomcorvos.zip.net

Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA, Giz Editorial, 2009, SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 18:59
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Resenha:

Sambaqui, Importante Romance Historial de Urda Alice Klueger

“Quanto mais examino o universo

e estudo os detalhes de sua arquitetura,

mais indícios encontro de que ele devia

saber, de alguma maneira, que estávamos

chegando...”

 

                                            Freeman Dyson

 

 

O Romance historial SAMBAQUI, Editora Hemisfério Sul, da já renomada romancista Urda Alice Klueger, tem essa coisa de você se apegar pela palavra e não largar mais, ir se entretendo na leitura, cativado, vencendo páginas, quando vê, você comeu pelas beiradas o livro de 245 páginas, edição 2008.

 

Como era o continente brasileiro antes do “achamento” pelos colonizadores lusos? Bela pergunta.

 

Pois a autora Urda Alice, renomada literata na linha de Proust, já tem seus dezoito livros, todos de qualidade, obras que, certamente já a apontam como a melhor escritora do sul, e uma das melhores do Brasil, na linha da literatura brasileira contemporânea. E lá se vão romances, crônicas, trabalhos infanto-juvenis de memórias, turísticos, narrativas de viagens, etc.

 

Muito criativa, Urda Alice conta numa linguagem fluente e bonita que cativa, toca, toma você pela mão e leva suavemente para aquilo que dela você com muito prazer lê. Resultado de muitas releituras, entendimentos e pesquisas (cientificas, arqueológicas, em museus, universidades, bibliotecas), a Romancista Urda Alice arrisca com conhecimento de causa as contações, aventurando-se com conhecimento do oficio, situando-as entre aproximadamente 4000 antes de nossa época, e acerta em quase tudo; foi feliz pelo que imaginou com criatividade, e pela sequência narrativa de qualidade.

 

Trabalhando a antiguidade no sul Catarinese, Urda Alice Klueger inventa a história de Jogu, Sanira, Calexo, entre outras personagens, com seus rituais, sonhos, trocas e feitiços, mais crendices, usos e costumes, ainda pescas, caças e interação dos silvícolas ameríndios com a natureza, entre os sambaquis da região; e de como poderia ter sido, como certamente foi, no seu entender, no seu feitio de criar, pesquisar, fazendo o leitor se interessar por essa viagem ao passado, retrazendo vestígios, veredas, ramificações, histórias alegres e tristes, sempre com muito gabarito e conteúdo narrativo.

 

Mapeia, faz importantes intersecções do que ocorria a mesma época narrada no romance, na Ásia (entre os rios Tigre e Eufrates), África (Egito, Rio Nilo), Mediterrâneo (Grécia, Irlanda), América (Peru), Europa, etc, levando e trazendo as ligações das histórias nas sequências próprias do romance, intercalando a contação de como era na mesma época entre outros povos, etnias, civilizações. Muito importante isso, reforçando o caráter criativo e importante do romance que assim carrega em belas pinturas textuais, mesmo que, de passagem, um mesmo um certo enfoque de circunstancial documentário.

 

Trabalho literário e histórico-arqueológico, tendo levado dez anos para ser terminado, a escritora nascida em Blumenau e muito bem conhecedora dos pagos sulistas, conta de tradições, envolvimentos ribeirinhos, a cultura toda própria da época e da região, e, tem peregrina alma viajosa, não foi difícil para ela imaginar com competência, viçando seu lado de “sentidora”, descrever com qualidade e riqueza de detalhes. Sim, os índios caçavam, pescavam, mas também amavam, tinham suas relações afetivas na tribo, na relações humanas de entendimento e convivência harmoniosa, uma visão bem sócio-comunitária também para a época. O Brasil antes de ser o Brasil.

 

-Alberto Ellis dizia que “alguns indivíduos fazem profissão de contar historias, e andam de lugar em lugar recitando contos”. Pois Urda Alice Klueger vai fazendo récitas literais de suas crônicas, experiências de bagagens de viagens, e mesmo romanceando fatos, vidas, acontecências; vai dando o seu toque todo feminino e por isso mesmo lindo, romântico, pessoal, naquilo que com talento inventa de inventar.

 

-O Romance Sambaqui é isso. Uma obra datada que, certamente servirá de pesquisa literária para conhecermos mais desse Brasil, e dos “nativos” que aqui já o habitavam antes da invasão colonizadora. Urda Alice colabora com isso. O livro tem, assim, sua importância de vezo histórico. Mais uma vez, portanto, a autora sabiamente acerta a mão no acabamento final de compreensão das evidências históricas, na condução do romance Sambaqui, que, por isso mesmo, vira um clássico da literatura brasileira.

 

-0-

 

Silas Correa Leite

E-mail: poesilas@terra.com.br

Autor de O HOMEM QUE VIROU CERVEJA

Giz Editorial, 2009, São Paulo

 

  



Escrito por Silas Corrêa Leite às 19:43
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Artigo/Opinião:

 

O Céu: Um Paraíso de Todos os Livros

 

 

“Mais eis que a palavra

Cantoflorvivência

Re-nascendo perpétua

Obriga o fluxo

 

Cavalga o fluxo num milagre

De vida...”

 

                        Orides Fontela

 

 

...O Céu deve ser na verdade uma biblioteca... e-n-o-r-m-e – onde repousam todos os personagens, anjos, heróis, narradores implícitos e explícitos, tipos de capa e espada (e de asa nos pés, antenas ligadíssimas e luz nos olhos), esperando não Godot, Ben-Hur, Lewis Carroll, que já estão assentados por lá, mas Um VISITADOR. Esperando serem visitados (na imaginação? no sonho?) pelos benditos Escritores de Livros! Deus, claro, é o supremo Maior Bibliotecário-Comandante-em-Chefe do Universo. E ali também edita suas (nossas) Vidas-Livros, que sonham finais felizes no palco iluminado da Nave Terra-mãe, sob chão de estrelas. Já pensou que demais, diria o Snoopy?

 

...O Céu, como uma literária e infinita barriga gestora, guarda, assim, todos os livros que foram escritos; os livraços que serão escritos; os imemoráveis e inimagináveis que ainda estão sendo escritos, entre sonhos, sofrências, blues etílicos, alumbramentos e lágrimas, entre pontos de interrogações, tópicos frasais, nexos causais e reticências em braile... Um e outro santo escriba abençoa uma orelha de livro, um arquivista maroteiro com olhos de lince tira os pós das mesmices entre a água e o açúcar do proseio celeste, e Mestre José Carpinteiro ilustra – na mente dos criadores – capas, prefácios, releituras e citações. Um anjo de asas de papel-arroz amanteigado (com reflexos da Via Láctea), com todas as letras de todos os alfabetos do mundo visível e invisível, no sensorial do escritor a cismar alhures, poetas, romancistas, Sentidores (para citar Clarice Lispector), delicadamente com voz de palha em sonata íntimo-espiritual “sopra” o bendito nome da obra-prima, com subtítulo, modus operandi e tudo. Já imaginou?

 

...O Céu de todas as Honras e Glórias inimagináveis, claro, tem um arquivo cósmico de todos os historiais. Do gênese supragalaxial, ao salmo cor de rubi, passando pelos mantras-banzos-blues-fados dos apocalipes de mil idéias com signos ficantes. Robinson Crusoé é agora uma abençoada janela-arquivo de lá, num cantinho com pintura xadrez que dá, nos horizontes e crepúsculos, para um ninhal escarlate de suntuosidades binárias, feito rancho de meteoros-metáforas esplendentes.

 

...O Céu também pode ser só um pouquinho aqui, amostra grátis no DNA metafísico de cada criador e criação. O Escritor que gera livros-árvores, livros-nuvens, livros-circos, livros e pertencimentos enlivrados. Como Hilda Hist, Olga Savary, Clarice Lispector, Proust, Tolstói, Neruda, Saramago, Brecht, Rilke, Cortázar. O escritor ins-pirado, ensimesmado, tocando por uma fagulha de amparo infinital, imagina, desmancha a seco, arrruma, cria, pesquisa e, eureka!. Surgem pedacinhos do céu como Cem Anos de Solidão, O Vermelho e o Negro, Incidentes em Antares, Grandes Sertões Veredas, Sentimentos do Mundo, O Nome da Rosa. A alma de cada um, recolhedor na curva do tempo, no imaginário ou da bateia de memórias, escrevendo uma vida-livro, um clássico. Só por Deus. Fico só sondando o devir, depoimento, rascunho, testemunho letral de um tempo, um povo, um local, uma mente brilhante atiçando implicações que cativarão olhares maviosos.

 

-No Céu não existe pecado e nem sanção de percurso-viagem-visita (todos serão perdoados?), nós todos, em capa dura ou com colagens de trilhas, temos a nossa vida inteirinha para escrever essa existencialização, tentarmos por uma bela vida e bela obra, com um final feliz. Bem-aventurado aquele que acerta na primeira edição sem cortes. Pois será Céu e na Terra um livro aberto de Deus, Livreiro-mor. No mais, vidas-livros são auferidas, recompostas, registradas, acrescentadas de aforismos, citações célebres, tragédias ou mesmo ilustrações maravilhosas. Que Paraíso de Livros é o Céu, cheios de zilhões de escrivaninhas, estantes, caixas de pandora com suas páginas atemporais...   

-No Céu, existir mesmo é conjugar o verbo Escre/Viver; existir é ler (oxigênio matrix), pois não existe Morte ao ler; no ler, por ler. Dormimos o sonho da viagem para dentro de nós, uma vida, um causo, uma croniqueta, uma historiazinha pro Menino Jesus dormir seu sonho de trombetas. Ler é uma busca para a nossa Cura.  Cada livro um historial, uma sentição, um rocambole geral a revelar-se em páginas de lágrimas e luzes se misturando, o vermelho e o negro, o azul e o amarelo, a loucura e a lucidez, sob o percurso de um altíssimo balão encantado segurando pontos de interrogações com baunilha num céu de chocolate...

...No Céu, pássaros-marcadores de livros, árvores-papéis de pão, borboletas-vaga-lumes-ideias, pirilampos de tons e nuances, rinocerontes de enlevos, rios de inspirações, nuvens e chuvas de vírgulas, relâmpagos de pensamentos-chaves, tudo o que depois serão versos, estrofes, parágrafos, apresentações, músicas pra alma procurando calma pra se coçar... Cada um lê-se a si mesmo, acrescenta o que se lhe vem a cabeça (consultem sempre o coração), invade pontuações, pondo pingos nos is ou, de relance, quem o sabe um dia, com tantas placas mães e placas de captura, no futural, colocando até pingos em dáblios... Nada é impossível ao que lê.

-Ah “Terra do Era Uma Vez”, o Céu pode ser dentro de cada um de nós aqui. Shangri-lá, Jerusalém, Pasárgada, Santa Itararé das Letras, São Petesburgo, São Paulo, Curitiba, Brasília. A cidade-livro. O herói sempre vence no final, pois a esperança é a inteligência da vida. Vivendo e aprendendo a escrever-se. Lendo e se refazendo, cortando exageros, pois o espírito não tem peça de reposição e nem inventaram bisturi ou silicone para a alma. A re-existencialização-pagina-aberta de cada um ser ou não Ser; cada clã, núcleo de abandono, ilha, adubo, enciclopédia, dicionário, clássico, coleção, gibi, quadrinho, palavra cruzada, cartun, jornais, revistas, livros... almanaques...

...Corra e olhe o céu, diz a balada de Cartola. Traga um céu para si e em si, em todos os recomeços vibracionais. Um Livro, pedaço de seu rio interior. Faça de sua vida-livro um belo romance com realizações e incompletudes que sejam. Sempre fica uma dúvida no ar mesmo, com o que queremos dizer ou soa no diferencial do implícito. Você sempre volta ao local de seu livro de existir. Você é o seu próprio capital de peso. Você é em si mesmo a própria impressão digital, a melhor e a pior prova testemunhal presencial contra e a favor do que você se escrever existindo. Já pensou que risco?. Capriche na narrativa-documento. O leitor-vida-livro sempre vence no final. Na casa do pai já muitas coleções. Escolha o seu cantinho, o seu estilo, a sua ilha-edição. Uma visão ético-plural comunitária ajuda muito nessas horas. Sarar o mundo. Sentir a dor do outro. Corações e mentes enlivrados, já pensou? A sua cara e a sua coragem colorida. Vidas capítulos. Acertos de contas na hora de passar-se a limpo. Refinamentos.  Perdendo lastros. Ser feliz é a melhor resposta, a melhor vingança, a melhor solução. EscreViver, evoluir, correr atrás dos sonhos com as mãos limpas e uma lupa magna procurando erros atrás das ilusões perdidas, como se tudo fosse só uma ilha da fantasia em que você de si mesmo e para todos que o rodeiam escreve o roteiro... Silêncio, gravando!

...Seja feliz enquanto escreve nas luzes da ribalta. Seja você seu próprio acervo. Eu fui muito feliz. Eu tinha um pai que contava historias de Itararé e do mundo pra mim. Quer maior riqueza do que isso? Vivendo e aprendendo a viver. Lendo e aprendendo a ser. Cada um de si próprio o capítulo que precede o clímax. Será o impossível? Muitos são chamados e poucos escrevem certos por linhas tortas. Há um céu. Na dúvida, largue tudo e vá ler um livro. Está estressado? Leia um livro de poemas. Está azedo? Leia um romance com capricho e conteúdo denso. Fique encucado, pense e reflita. Pode ser que ainda esteja em tempo, e você desperte a chance de pegar a chave da imaginação e então poder registrar-se numa ala da Biblioteca do Céu, estar como um verbete na enciclopédia artística de Deus, o seu nome-vida-livro nos pilares sagraciais de todas as sagas. O seu nome arrolado lá, no historial perene do livro da vida, pois o que você se escreve na terra, Deus escreve no Céu. No Céu de todas as vivências-históricas, O Paraíso dos LIVROS!.

-0-

Silas Correa Leite, Santa Itararé das Artes, São Paulo, Brasil

Primavera de Livros, 2009 – E-mail: poesilas@terra.com.br

Autor de Porta-Lapsos, Poemas, e Campo de Trigo Com Corvos, Contos, a venda no site www.livrariacultura.com.br

Prêmio Lygia Fagundes Telles Para Professor Escritor

 

 

 

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 20:31
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E AINDA PERGUNTAM

 

Para Rubens Vieira Barbosa, Itararé-SP

 

 

...e ainda perguntam se eu sou médium

respondo que sou pleno e inteiro...

...e querem saber a minha religião

mostro a mão aberta e a alma estendida

 

...e queriam que eu fosse pastor

sou agora um pastor de poemas

...perguntam se eu enxergo no escuro

enxergar no claro é ser do claro

 

... e querem saber porque sei o que sei

eu não sei como sei só sei que sei

...e ainda querem saber porque crio tanto

a ficção-angústia que fuga é?

 

...e ainda perguntam por que tanto amo Itararé

para inscrevê-la na consciência do mundo

 

...perguntam se eu sou louco

que loucura é ter sensibilidade?

e ainda perguntam se eu sou poetna

então expludo o vulcão criativo

 

e quem quiser que conste ostras

 

-0-

 

 

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Letras

www.campodetrigocomcorvos.zip.net

E-mail: poesilas@terra.com.br

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 19:41
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Não Posso Exigir de Ninguém

 

 

Não posso exigir de ninguém

O amor que eu não tive, o amor que eu não dei

Não posso cobrar de ninguém

O que cobraram de mim e não respondi a contento

Não posso exigir de outro

O que não exijo de mim mesmo

Não posso querer parecer o que não sou

Pois nem mesmo sei o que exatamente pareço

Não posso querer ser um anjo

Pois posso parecer mais demônio com a presunção

Não posso querer ser livre se não sou

Sou um livro mas aberto na página errada da vida

Não posso me dizer dono da verdade

Porque a verdade é universal e sem dono 

Não posso querer ser filho de Deus se não pareço

E o que pareço mais se aproxima do pouco humano

Não posso querer saber o que não sei

E se nem mesmo sei porque sei o que me cabe

Não posso querer voar sem perder lastro

E o peso de existir sempre nos leva pra baixo

Não posso querer aprender técnicas de vôos

Pois seria um tratorista querendo dirigir helicóptero

Por fim, não sabendo nada, nada de mim

Sou esse que escreve; eterno poeta aprendiz assim

 

-0-

 

Silas Correa Leite – Santa Itararé das Artes

E-mail: poesilas@terra.com.br

www.portas-lapsos.zip.net

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 19:03
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Crítica

“O Homem Que Virou Cerveja”,

Livro Premiado de Crônicas de Silas Corrêa Leite

 

 

Depois de finalista do Prêmio Telecom de Portugal, com seu livro de contos premiados ‘CAMPO DE TRIGO COM CORVOS´, Editora Design, Santa Catarina a venda na www.livrariacultura.com.br, Silas Correa Leite, o tachado de “O Neomaldito da Web” (pelo site Capitu), com bela entrevista polêmica num dos últimos Programas “Provocações” da TV Cultura (SP) do Antonio Abujamra (o vídeo está fazendo sucesso no YouTube como Poeta Silas C. Leite), está lançando agora o livro de “crônicas hilárias de um poeta boêmio”,  chamado ‘O HOMEM QUE VIROU CERVEJA´, Giz Editorial, SP, Prêmio Valdeck Almeida de Jesus, Salvador, Bahia.

 

A obra traz a famosa crônica de humor que nomina o novo livro, entre causos (de Itararé, é claro!), croniquetas diversas (sobre Mania de Banho, Fanático Por Bar, Baristas), entre um e outro tributo à boêmia; acontecências engraçadas de Santa Itararé das Letras (como ele mesmo diz) e de Sampa, onde o autor exilado de sua terra-mãe reside (no Butantã). Contações do arco da velha, e ainda o belíssimo texto “A Voz da Filha Que Não Houve” (foi vertida para o espanhol por um site aí, e ficou ainda mais belamente triste), e mesmo a tal da Declaração Universal dos Direitos dos Boêmios que é um destaque nas infovias da web, tão criativo texto quanto o próprio Estatuto de Poeta que corre a rede da net vertida para o espanhol e inglês, e que constou no livro Porta-Lapsos, Poemas, Editora All-Print, SP.

 

Da “Poética da Tristeza”, como na polêmica entrevista ao Provocações, em que o autor soberano driblou o Mefisto do Abujamra, passando pelo e-book de sucesso O RINOCERONTE DE CLARICE, primeiro livro interativo da rede mundial de computadores, tese de doutorado na UFAL, novamente Silas Correa Leite surpreende pela peculiaridade, estilo, domínio da escrita, fluência, desta feita paradoxalmente em alto astral, onde, irônico, traz um sortido de historiais, ainda com crônicas apimentadas de sensualidade em relações humanas extremamente mais realistas do que propriamente afetivas, verdadeiras narrativas pra boi dormir (no caso, cair nos risos ao lê-las), entretendo, revelando essa nua nova face de Literato contemporâneo que muito merecidamente por certo já o é.  Quer saber? Basta buscá-lo num site como o Google, e você vai achá-lo em tudo quanto é lugar, quase 500 links. Com tantos prêmios de renome, vários livros, constando em mais de cem antologias literárias em verso e prosa, até no exterior, é de se esperar de Silas Correa Leite, a cada novo livro, uma mostra de sua lucidez e qualidade lítero-cultural.

 

O Livro O HOMEM QUE VIROU CERVEJA esteve na estande da Giz Editorial, na Bienal do Livro do Rio de Janeiro (Setembro 2009), e tornou-se uma espécie de fechamento de ciclo do escritor premiado, poeta, ficcionista, resenhista, crítico, preparando-se para outros novos voos, outras obras impressionantes, surpresas letrais, trabalhos diferenciados, acima da média e sempre contundentes, altamente criativos com imaginação fora de série, no caso deste livro O HOMEM QUE VI VIROU CERVEJA, literalmente fora do sério...

 

Aliás, o autor, que acompanho faz tempo (trabalho uma tese sobre sua importância na nova literatura brasileira), já tem um romance “aprovado” por uma importante editora da grande São Paulo, um sendo avaliado por uma editora emergente do sul, está preparando ainda outros livros, como um novo de poesia, um novo de contos, um sobre vivências na educação pública, talvez um já sobre Fortuna Crítica, alguns infantis ou infanto-juvenis, todos em surrealismo ou realismo fantástico, enquanto em tantos blogues divulga suas letras-de-rock-poemas, entre tantas baladas e blues que compõe e que ainda permanecem inéditas em gravações.

 

Almeida Fischer disse:

 

“Um escritor se firma e permanece na lembrança de seus contemporâneos especialmente em função de sua inventiva, de sua técnica, de sua linguagem e/ou do seu poder renovador”.

 

                                                          

Silas Correa Leite é exatamente isso; é assim, quem o conhece fica só sondando qual a própria criação a tirar da cartola de sua mente. Não vem fazendo sucesso por acaso. Não vem sendo entrevistado ou reportagem na chamada grande mídia porque escreve água com açúcar. Muito pelo contrário. Como ele tem apenas 57 anos, entre palestras, críticas sociais, ensaios e outros trabalhos em verso e prosa, não é de surpreender que o tal do “neomaldito da web” vire mesmo pop e cult, talvez entre para uma academia de letras, ou seja reconhecido por uma grande editora que banque sua obra de grosso calibre, porque é um escritor que tem muito o que produzir, criar, encantar.

-0-

Antonio T. Gonçalves

SP – E-mail: tudotito@zipmail.com.br

 

   

 



Escrito por Silas Corrêa Leite às 14:03
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Artes de Itararé:

CONVITE ESPECIAL

“Noite de Autógrafos” em Santa Itararé das Letras


-Temos o prazer de Convidar V.S.a(s). e excelentíssima(s) Família(s), para o lançamento da obra literária “ASSIM ESCREVEM OS ITARAREENSES, Primeira Antologia de Prosa de Itararé, Editora All-Print, SP, no evento lítero-cultural que ocorrerá dia 11 de Outubro de 2009, domingo, às 20 horas, no Salão Nobre do CAF.

-A Noite de Autógrafos contará com a presença de artistas, escritores, jornalistas, educadores, boêmios, contadores de causos, inventores do inexistente, andorinhas sem breque, poetas e cidadãos dessa Itararé-Estância Boêmia que amamos tanto, e, portanto, não poderia(m) faltar o(s) nobre(s) amigo(s).

Será uma honra tê-lo(s) conosco. Afinal, já disse Leon Tolstói “Canta a Tua Aldeia e Serás Eterno”.
-0-
Comissão Organizadora do Livro “Assim Escrevem Os Itarareenses”

Rua Prudente de Moraes, 837, Itararé-SP CEP 18.460-000
Silas Correa Leite
E-mail: poesilas@terra.com.br


Escrito por Silas Corrêa Leite às 15:55
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